A gravura acima é cópia de um trabalho elaborado por J. Steimann, em cerca de 1830, e gravada por Fr. Salathé. Nota-se claramente que o artísta registrou suas observações sobre o local e que, somente depois, afastado do ambiente, concluiu a obra. As montanhas representadas não demonstram exatidão, estando um tanto longe da realidade. A chamada "Cascata do Chatô", hoje quase inteiramente desaparecida, foi representada como fluindo da superfície rochosa que, equivocadamente, apresenta-se mais alta do que as das "Duas Mamas". A representação da Rua Direita e dos grupamentos de casas que, então, dividiam a atual Praça Presidente Getúlio Vargas em três espaços, não está precisa. Ao alto, foi representada a antiga sede da "Fazenda do Morro Queimado", depois transformada em Administração da Colônia e capela da Vila, a que os suíços denominaram "Château du Roi". O prédio situado na várzea, mais à esquerda, com telhado chanfrado, seria o quartel da Polícia, que jamais foi concluído.
… “Nova Friburgo é algo de ímpar no contexto brasileiro. Nós o dissemos com acerto e com orgulho. Ela exibe várias singularidades, vejamos algumas delas:
-- Nova Friburgo foi a única cidade do Brasil a ser fundada por um rei, D. JoãoVI, o Clemente, que exigiu textualmente que a primeira paróquia da mesma fosse dedicada ao santo de seu nome, São João Batista.
-- Curiosamente, a paróquia de Nova Friburgo foi instalada na Suíça, no porto lacustre de Estavayer-le-Lac, onde foi celebrado seu primeiro casamento.
Réplica de um quarto de colonos suíços feito em cedrinho dos alpes no “Memorial da Colonização Suíça” em Conquista – Nova Friburg. Foto: Osmar de Castro
-- Constitui-se na primeira colonização não portuguesa acontecida no Brasil, em caráter permanente. Estando registrados os nomes de todos os seus fundadores, num preito de verdadeira admiração e perene gratidão.
Réplica do navio Urânia construída por Lúcio Suriani. Foi um dos veleiros utilizados pela colônia Suíça de 1819, na sua maioria do Cantão de Fribourg. Construído em 1785 (Hanburg-Germany), foi um veleiro de 600 toneladas, 45 metros de comprimento, calado de 14 pés, e considerado de "primeira qualidade". Foi projetado para transportar mercadorias. Logo, conclui-se que os emigrantes embarcados eram "cargas humanas", comparando-se aos escravos. Pela lei holandesa, não poderia transportar mais que 360 passageiros. Todavia, em 12 de setembro de 1819, partiu do porto de Rotterdam (Holanda) comandado pelo capitão Boch, com 437 suíços e chegou na Baia de Guanabara-RJ em 12 de dezembro de 1819 com apenas 330 passageiros.
-- Foi a primeira colonização alemã havida no Brasil, anterior, inclusive, ás do Sul do país. Os nomes de todos os colonos alemães são, também, conhecidos e guardados com carinho e orgulho.
-- Em Friburgo foi instalada a primeira Comunidade Protestante da América Latina, com a chegada dos alemães, em 1824. Antes dela, em 1819, nos brejos de Mijl, na Holanda, onde estiveram acampados por muitos dias, os suíços protestantes chegaram a se reunir e formar um “Colégio de Ajuda” para proteção mútua e pedir ao rei, ao chegarem, liberdade religiosa.
Ruínas do Convento de Macacu, onde foi instalado um hospital, por ocasião da chegada dos colonos suíços ao Brasil e onde faleceram 35 deles ( um vitimado por acidente). Logo depois a pequena vila, cujo nome oficial era Santo Antônio Sá, foi inteiramente varrida do mapa, tendo o mesmo acontecido com a vila de São João da Boa Morte, situada próxima à primeira, em decorrência da chamada febre ou tifo de Macacu. Acervo Digital Castro.
-- Nova Friburgo foi a primeira célula urbana do Brasil a ser projetada. Foi construída e passou a aguardar a chegada de seus futuros habitantes.
Objetos pessoais dos primeiros imigrantes suíços aqui chegados em Maio de 1818.
-- Em Nova Friburgo, durante os primeiros anos de sua existência, eram falados pelo povo, simultaneamente, três idiomas: o português, o francês e o alemão. Inclusive os avisos e as resoluções oficiais eram redigidos nas três línguas.
-- Logo depois de habitada, um sexto dos habitantes de Nova Friburgo era composto por órfãos, fato decorrente das muitas mortes havidas durante a terrível viagem.
Detalhe da aquatinta, onde observamos as “Casas Coloniais” e a casa sede da “Fazenda do Morro Queimado”, conhecida pelos habitantes da villa como “Chatêau du Roi”, onde em 1886, foi instalado o Colégio Anchieta da Companhia de Jesus.
-- O primeiro colégio misto do Brasil (para meninas e meninos) foi instalado em Nova Friburgo, logo depois de chegados os colonos suíços.
-- Subsistem em Nova Friburgo duas bandas-de-música mais que centenárias. Uma delas, a Euterpe, ostenta, desde sua fundação, ocorrida em 1863, a bandeira de cor verde, representativa da Monarquia. A outra, a Campesina, surgida em 1870, desfralda o lábaro rubro, para destacar seus ideais republicanos e ante escravocratas.
-- Em Nova Friburgo foi hasteada pela primeira vez no Brasil, em sua panóplia oficial de bandeiras, o estandarte da Consciência Negra, num preito de reconhecimento por essa raça que tanto vem contribuindo para a grandeza do Brasil.
-- Nova Friburgo contém a maior fatia remanescente da Mata Atlântica do Estado do Rio de Janeiro e é, deste, seu maior produtor de flores e hortigranjeiros.
Raphael Luiz de Siqueira Jaccoud. Descendente de colonos suíços emigrados a bordo do veleiro “Urânia”, em 1819.
Jardim de inverno do Colégio Anchieta da Companhia de Jesus, fundado em 1886, no antigo “Château du Roi” ou “Castelo do Rei” por Padres Jesuítas.
Fotos: Osmar de Castro – Nova Friburgo Brasil - Direitos Reservados